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Elton Moraes

Escritor Comunicólogo E viciado em café

Sobre mim

Oi, turu pon?!

Eu souElton Moraes

Escritor, comunicólogo e cafezeiro

Viajante dos mundos de faz de conta e criador de historias do além, sou um anjinho de Áries, comunicólogo, apaixonado por literatura, amante de séries e viciado em café. Nascido em março de 1996, fui inspirado pela música, poesia e brincadeiras infantis, encontrando nas palavras uma forma de dar vida às minhas aventuras imaginárias. A partir de "Crônicas de Onyx", surgiu um vasto universo que engloba as series "Maxon Carter" e "Futuro Renegado", bem como o romance "Fênix: A morte não e o fim de tudo". Atualmente, todos os livros são publicados de forma independente na Amazon.

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Essa poderia ser uma carta de despedida


Eis aqui minhas primeiras e últimas palavras. Eis aqui um desabafo.

Para quem não sabe, atualmente, estou trabalhando bem longe da minha formação acadêmica. Nem sempre a vontade(zinha) de trabalhar na área se faz concreta, porém, esse não é o problema. O problema são as pessoas com quem somos forçados a trabalhar (e a conviver, de um modo geral).
Ultimamente, venho sofrendo um pouco de repreensão/assédio (é isso que se diz?). Não é diretamente a mim, mas é ligado ao que sou.

E eu sou gay.

Para muitos vai ser “haha, quem não sabia, miga?”, mas para outros pode ser um escândalo. “Como o prodígio, o perfeitinho da família, pode ser assim?”. É, minha gente, eu cresci para ser o The Best, porém, não é isso que quero. Minha sexualidade só se revelou como algo mais. Algo intrínseco a mim. Algo que me ajudou a fugir da fachada que criaram a minha volta.

Mas foi difícil entender o que eu sentia e me aceitar. E foi ainda mais difícil acreditar que isso era algo normal. E ainda mais, revelar para minha mãe minha natureza. Algo que nem todos da família sabem (e podem estar sabendo nesse momento).

Onde quero chegar, você deve estar se perguntando.

Pois bem, como mencionei, às vezes somos forçados a conviver com pessoas que não entendem a gravidade de determinados assuntos, ou simplesmente abstraem isso da mente. Afinal, não é algo que as atingirá diretamente. E, com isso, abre-se espaço para a famigerada homofobia velada em tom de brincadeira.

Essas brincadeiras, raramente são direcionadas a mim, porém, convenhamos, é algo que incomoda. Dizer que um vai comer o outro, como se isso fosse algo promíscuo ou uma forma de diminuir o outro e ofender, não é a melhor coisa a se ouvir. Sem dizer quando você é obrigado a ouvir “aqui veado a gente trata na bala”. Oi, migo?

Cadê o profissionalismo? Cadê o respeito?

Eu sempre digo: não quero que todo mundo me “aceite”, não quero biscoito nem ser paparicado por ser gay. Quero ser respeitado. Assim como muitos que nem eu. Assim como você. E todo o resto do mundo.

Quando digo que essa poderia ser uma carta de despedida, você até pode pensar “que exagero”, entretanto, talvez, você não esteja inserido no mesmo círculo que eu, em que todo dia algum LGBT+ sobre opressão, discriminação ou é assassinado. Ou se mata, simplesmente por não aguentar a pressão social que vai contra tudo aquilo que acreditamos. Aquilo que queremos ser. Simplesmente porque somos.

Ouvir comentários homofóbicos e ameaças veladas, mesmo que não direcionadas a mim, incomodam, irritam, tiram um pouquinho da esperança que tentamos construir diariamente. Esperança de que as coisas possam melhorar. De que os esforços de milhares de pessoas ao redor do mundo possam resultar em bons frutos.

Tudo isso, vai se calando cada vez mais dentro de mim quando pessoas que estão em posição superior e são responsáveis por uma equipe, se posicionam de uma forma “neutra” — leia-se “fugindo de problemas que não são meus porque estou confortável participando de joguetes que não me atingem de nenhuma forma”. Por favor, se você é ou um dia for, não seja esse tipo de chefe.

Sendo uma pessoa que tende para o lado negativo, eu poderia fincar todas essas atitudes em minha mente como uma bola de demolição e, lentamente, destruir os castelos que construí em minha mente. Fortificações essas que me confirmam e reafirmam que não há nada de errado comigo. Nem com você, leitor LGBT+.

A questão é…

O problema está na construção social e cultural.

E talvez nossa geração não seja a responsável por mudar esse pensamento. Nem todos estão aptos a isso. Nem todos querem entender o sofrimento alheio ou simplesmente digerir o fato de que ele existe e não é mimimi.

Apesar de biologicamente “iguais”, somos diferentes em cores, tamanho e formas de lidar com situações. Isso é algo que precisamos respeitar.

Mas cabe a nós, de semente em semente, semear um pouco mais de empatia àqueles que buscam por compreender e, por que não, respeito e amor.

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Forte abraço,
Elton Moraes

COMPENSAÇÃO

Riscou o isqueiro. A chama dançante era um convite irrecusável para uma dança entre a vida e a morte. Aproximou-o do cigarro entre os lábios. Deu a primeira tragada e a nicotina lhe deu o efeito desejado: paz. Uma paz contada, cronometrada dentro do tempo necessário até aquele cilindro de papel e mato se tornar nada além de cinzas.
Seus olhos desviaram para o além. Não havia motivos para se identificar como ele ou ela. Era uma pessoa comum, alguém que sentia necessidade de se livrar de fardos que seus ombros já não suportavam mais carregar.
Foi como encontrou certo conforto: apodrecendo-se de dentro para fora.
Mórbido? Com certeza! Mas a perspectiva de canalizar suas angústias e temores e baforá-las como nuvens de fumaça era o que tinha de melhor a fazer.
Compensação era a palavra de ordem. Julgava-se por isso, mas não se odiava mais. Na verdade, talvez, nunca tenha chegado a se odiar pelo vício.
A raiva era algo intrínseco a sua vida de forma diferente. O tabaco era apenas uma forma de minimizar seus sentimentos autodestrutivos.
“Que forma imbecil”, você deve estar pensando.
Não era possível negar.
Seus olhos corriam de um lado a outro, a mente estava vazia, como raras as vezes. Nenhum pensamento ruim, nenhuma dor se sobrepondo, nenhuma ira, nenhuma culpa. Tudo era apagado, ou melhor, queimado pela brasa e cuspido aos céus.
Os erros cometidos, as dores sofridas, as culpas rasgantes, a ideia de ser o perfeito. Tudo se transformava em cinzas. Sobravam apenas resquícios em seu pulmão. Sobras essas que, apesar de lhe carbonizarem, também eram ligeiramente esquecidas.
Talvez, apenas talvez, não houvesse mais motivos para compensar sua ruína. Mas, no fundo sabia, precisava compensar pelo que viria, e, depois, compensar pela culpa da compensação.
Ao fim de mais uma terapia que nenhum psicólogo aprovaria, jogou a bituca na rua e voltou para dentro de casa.
O cheiro e o gosto amargo era a única lembrança de uma compensação.


Estar sozinho não é sinônimo de solidão

Imagem: Unsplash/Pixabay

Existe um discurso de que você sempre precisa estar com alguém e nunca sozinho. E quando digo sozinho, não é apenas solteiro, mas sozinho mesmo. O você e o seu próprio “eu”.

Uns tempos atrás, li um texto do Iandê Albuquerque sobre não se sentir mais confortável ou não se enxergar em um relacionamento, não ter paciência em conhecer novas pessoas, naquele ciclo eterno (e cansativo). Dizia que era bom estar sozinho, por vezes, e eu preciso concordar. Estar sozinho não é sinônimo de solidão, ainda que se costume relacioná-las.

Quando você deixa coisas para trás e aprende com elas, algo de bom pode surgir. No meu caso, aprendi a gostar ainda mais da minha privacidade, da minha liberdade, do meu eu. E isso só consegui ao ficar sozinho, ao não sentir a “necessidade” de me prender ao outro, a qualquer um. Isso não está apenas atrelado a um comportamento romântico, mas aos amigos ou familiares. Cada um tem seu espaço pessoal, cada um tem sua própria liberdade, e conhecê-los é essencial para se conhecer. Você não abandona as pessoas que ama, apenas se dá o tempo e o espaço de se amar também.

E me desculpem os apaixonados de plantão, mas que preguiça de encontrar um novo amor.

Alguns dizem que o amor aparece na hora certa, outros, que você tem que correr atrás daquilo que deseja — e eu concordo —, porém, prefiro esperar que o famigerado venha até mim. É como eu disse, estou bem sozinho, estou me conhecendo melhor, e priorizo esse sentimento. Priorizo, antes de tudo, estar bem comigo mesmo, estabilizado emocional e economicamente, completo, antes de tentar encarar um novo relacionamento. Relacionamentos não foram feitos para complementar as pessoas, e, sim, para transbordá-las.

Portanto, às vezes é melhor dar tempo ao tempo e, principalmente, para nós mesmos.

Aí você deve estar se perguntando sobre a danada da carência. E eu vos digo: ela bate com força, às vezes, mas nada que não seja superável. Contato físico é bom e faz bem para a saúde, só que é algo que passa, facilmente superado quando você relembra todos os passos que precisa dar para sua própria felicidade. Sem dizer que os amigos estão aí para isso, um abraço, um carinho e um sorriso. O apoio de que tem ama e de quem você ama é essencial nesse momento.

Enfim, você não precisa se isolar de tudo e todos, apenas buscar seu lugar de pertencimento, suas motivações e quem você é dentro de si mesmo.

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Forte abraço,
Elton Moraes

Comentários

A escrita do Elton é bastante fluida e agradável, e seus personagens e ambientações são muito bem desenvolvidos.

Maria Eduarda

Blog Leitora Voraz

Vemos um autor em processo de conhecer a própria escrita no início [de Crônicas de Onyx], mas que nos surpreende com passagens muito bem colocadas e que ascende a uma escrita profissional ao final da história.

Delson Neto

Autor de "Os Guerreiros de Alquemena" e "Shura"

Elton Moraes
Curitiba, Paraná

ME MANDA UM OI!